quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Hans Selye Revisitado

Estou lendo um livro muito bom sobre treinamento desportivo. Trata-se do "Practical Programming for Strength Training", de Mark Rippetoe e Lon Kilgore (The Aasgaard Company, 2008). Apesar de tratar-se de um livro focado no treinamento de "musculação" (e não de triathlon), ele esclarece - e até simplifica - toda essa história de periodização dos treinos. É, pelo menos para mim, um olhar que permite organizar nossos treinos em nova perspectiva, com base em nossos níveis de habilidade e capacidade de recuperação.
Em resumo, muda-se o foco dos ciclos de treinamento (microciclos, mesocliclos, etc) para apenas o ciclo que "interessa": o de adaptação (supercompensação). Vou mostrar aqui embaixo alguns gráficos que tirei do livro e que creio irão dar uma idéia do que entendi e eventualmente criar o interesse de vocês pela leitura do livro que é, realmente, espetacular.


Na figura acima, a gente pode ver a duração do ciclo de supercompensação com base no nível do atleta. De acordo com o gráfico, quanto maior o desempenho do atleta, maior é período de tempo necessário para produzir uma melhora na performance.


Esta segunda figura do livro mostra que o aumento da fadiga que resulta do treinamento tem um impacto negativo na performance do atleta. Esse deficit só desaparece nos estágios finais do processo de recuperação.



O dois gráficos imediatamente acima são meio que auto-elucidativos; basta contemplá-los para ter uma noção precisa da interrelação entre o nível do atleta, tempo e características do treinamento. O primeiro mostra, entre outras coisas, que a razão de adaptação declina com o progresso da carreira do atleta. O último encerra um informação interessante: a especificidade do treinamento, a partir de um certo ponto, não responde mais significativamente pelo progresso do atleta em busca de maior desempenho físico pois não desestabiliza a homeostase, apenas mantem sua "habilidade esportiva".

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